20.12.07

Pílulas de texto: Viagem de ônibus.2

Logo depois de Manuel parar no ponto de ônibus, sobe um passageiro, fica perto do motorista que neste momento xinga e tenta chamar a atenção do novo passageiro. Paulo que foi quem subiu. Logo que olhou Manuel viu que algo estava errado com ele, não era comum ver motoristas tendo ataques de nervos no volante e que agora reclamava dos membros de sua própia família, e de quanto iria gastar com material escolar com seus filhos. Paulo ficou triste porque sabia muito bem do que ele falava pois tinha 3 filhos e aquele ano tinha apertado para ele também, então Paulo confirmava tudo com um aceno positivo tudo que Manuel falava, fazendo o falar mais alto como se quisesse achar outros para conspirar com ele, e então percebeu que Manuel olhava Paulo pelo retrovisor , a cada frase dita para ver se conseguia identificar as reações das pessoas que levava.

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pìlulas de texto: Viagem de ônibus.1

Manuel é motorista de ônibus, não está satisfeito com nada, enquanto trabalha, fala , gesticula como se estivesse dando uma palestra, fala para quem consegue escutar no barulho da avenida, aponta e comenta os motoristas que estão fazendo barbaridades no trânsito, xinga alto o bastante para aqueles que estão perto ouvirem perfeitamente, quando o trânsito fica livre e ele pode tocar o ônibus prá frente, começa a falar do seu salário e em que tipo de coisa está metido é comovente como um tipo esqulético como esse motorista possa apelar tanto aos passageiros.

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3.12.07

Pilulas de texto: Um escritor sem motivos para escrever

O escritor sem motivos para escrever.
Estava ali sem nenhuma inspiração para escrever uma linha qualquer mas em sua mente tudo se agitava, vinham as mais criativas idéias, os mais belos motivos, mas isso tudo escapava ao escritor. Em sua mente fluíam pensamentos que, por serem apenas partes de alguma coisa grande, ele desconsiderava.Procurava dentro de si alguma coisa que podesse render algo relacionado à boa literatura. Queria, no fundo, escrever aquelas coisas que fervilhavam em sua mente e que ele não conseguia captar por completo. Em sua maioria eram coisas importantes, assuntos de interesse geral, tudo o que poderia render grandes comentários e histórias.E o escritor somente conseguia segurar a sua caneta. Vinha em sua mente muitas coisas importantes, mas não conseguia destrinchá-los , talvez fosse pouca de coragem para encará-los da maneira devida.Já tinha experimentado ler trabalhos de autores de destaque para ver se conseguia, de alguma maneira, achar motivos para escrever e passar para o papel suas própias idéias.Tudo era um esboço de idéias muito superficiais.Sua mente agitada não dava trégua quando finalmente achava um tema para desempenhar. Não conseguia dominar o assunto pois estava muito tenso, e sempre reprovava o que lhe surgia.Prestava atenção nos sons, ruídos, latidos e em tudo o que se passava. Conseguia se concentrar em algo por apenas alguns minutos.Agora estava sentado em sua mesa tentando voltar-se para o que passava em sua mente, distraia-se com objetos que ali estavam, brincava com a caneta como se aquele malabarismo fosse trazer uma história.Sentia que seu mundo precisava ser comentado, tanto nos aspectos positivos, quanto negativos. Via que esse era o seu jeito de se comunicar com o mundo e que a infinidade de temas a ser abordado estava sendo bloqueada por motivos que ele mesmo desconhecia – talvez não soubesse nem uma porção de todos os problemas.Agora estava disposto a escrever sobre qualquer coisa que lhe viesse à mente, mas mesmo assim escrevia somente algumas linhas e reprovava tudo o que tinha escrito.Agora via fotos e títulos nos jornais, mas mesmo assim não se interessava pelos temas e isso lhe dava a entender que estava procurando por algo que estava escondido no seu inconsciente e não conseguia ter acesso de jeito nenhum.Preocupava-se por não saber exatamente o quê escrever.Olhava através de seus óculos todos aqueles esboços inúteis que fazia na folhas, sentia que aquilo não tinha nenhum valor literário.Em alguns momentos eram tão poucas as idéias que vinham à sua cabeça que sentia-se solitário.Não conseguia determinar o que iria tentar escrever, mas achava que a qualquer momento aquela idéia boa surgiria. Cada vez que tentava aprofundar seus pensamentos, sentia sua mente completamente anestesiada.Subitamente via-se olhando para qualquer canto sem uma idéia passando por sua cabeça. Tentava se concentrar nos possíveis temas que poderiam abordar, mas tudo lhe escapava a consciência.

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