31.10.07

Pílulas de texto:Criança com medo de fantasmas.

São Paulo de Piratininga, ano de 1580. Moro numa pequena casa de taipa na beira do rio Anhangabaú, meu pai é português e a minha mãe, índia da tribo tupinambás. Neste momento estou em casa sozinho e com muito medo, pois esse lugar é cheio de histórias de espíritos que minha mãe me conta. Está escurecendo, olho pela única janela de casa e vejo um monte de índios escravizados passando pela estrada. Marcham silenciosamente, descalços e tristes. Não escuto outro som, senão o de seus passos e o ruído das correntes que os unem. Já estou cansado de ver índios, presto atenção agora no português que vai gritando com eles, parece querer toda a cana-de-açúcar do mundo. Noto que o chefe pára na escuridão e toma um grande gole de pinga, se fosse durante o dia, poderia ver a sua expressão, silêncio novamente e o medo chega junto. Tenho medo de ficar sozinho, confesso, mas também tenho medo de perder minha mãe nas águas desse rio que dizem ser assombrado. Comi tanta marmelada que minha barriga está quase estourando, não tenho medo da marmelada que está estocada na minha casa, é disso que vivemos, fazer marmeladas, daqui até lá embaixo, no rio, só tem marmeleiros plantados, mas em volta é tudo uma floresta só. Eu tenho medo do monstro que dizem que vive no rio ,não consigo tirar da minha cabeça sua horrível aparência de homem com escamas de peixe, e a minha mãe toda indefesa que nunca vem, como poderei me defender com essas marmelada? Fecho a janela e tranco a porta, agora estou na completa escuridão, já nem lembro mais de fantasmas, escuto um barulho lá fora, levanto-me e fico atento, sinto que algo cola em meus pés como uma ventana. Eu julgo ser do monstro porque é muito pegajoso e quando eu coloco a minha mão para libertar os meus pés, percebo a anatomia adulta com a qual eu tenho poucas possibilidades de escapar. Uso todas minhas forças e consigo! Agora estamos os dois no escuro, paro, não faço nenhum barulho esperando que assim, ele não me ache. Escuto um balaio de palha cair perto do fogão, procuro a porta e não acho, bato em algo duro e sólido que tento escalar. Num único salto caio em cima dele. Meus braços afundam até o cotovelo, meus joelhos ficam imobilizados pela sua mão gosmenta, minha cara bate em seu peito e eu paro de respirar por alguns segundos, até que consigo afastar o nariz, Tudo aquilo cola, tira meus movimentos. O animal enfurecido e quente. Agora consigo libertar minhas mãos que levo ao rosto para livrar-me de algo que me prejudica a respiração. Percebo que estou ajoelhado, pronto para o último momento, Então descubro que estou dentro de um grande taxo de marmelada em cima do enorme fogão de lenha.

22.10.07

pílulas de texto:Esperando o ônibus.

-Bom dia
-Bom dia
-Acho que vamos esperar um bocado, o senhor não acha?
-È verdade, mas eu já estou acostumado há muito tempo.
Além do tránsito, temos muito pouco ônibus, eles custam a chegar e quando ele aparece estará completamente abarrotado de gente.
-Não custa agente ter um bocadinho mais de calma, porque toda sexta-feira é a mesma coisa, e um lugar nos arrumamos, basta sle chegar.
-Essa cidade esta se transformando em um completo caos e está assim por todos os lados, tudo e tão iprevisível que só o prejuízo é certeiro, o senhor não está sentindo essa fumaça, esse cheiro de óleo no ar, esso ai me dá uma tremenda dor de cabeça.
-Mas o que se pode fazer,se ir de carro se respira o mesmo ar poluído, não é verdade?
-È verdade sim, e veja aquele ciclista ali, também não escapa dessa imundice apesar de aparentar toda aquela liberdade por entre os carros, acho que a única vantagem e economizar alguns trocados, quem sabe no futuro tenha um pouco mais de vantagem.
-Mas ele vai ligeiro, chegara rapidamente no seu destino, que na certa é bem próximo.
-Costumava ir de carro, ia até mais cedo para abrir minha empresa, mas percebi que de ônibus daria mais certo, o senhor sabe, essas faixas exclusivas para ônibus dão mais rapidez no trajeto, e também comecei a notar que alguns dos meus funcionários tinham certas vantagens indo de condução, sempre chegavam primeiro e como sou eu quem tem que dar exemplo, tomei essa atitude.
-Deve ter acontecido um acidente que trancou tudo. Hoje, infelismente, muita gente vai chegar atrasada ao trabalho, seja o que for que tenha acontecido.
-Não gosto de ficar aqui esperando, enquanto na porta da empresa tem um monte de gente apinhada vendo a porta fechada como se fosse feriado.
-Muita gente não tem é saco para aguentar,e veja só, agora comencaram a buzinar.
-Isso realmente é muito irritante, principalmente com essa moto aí na frente que nem escapamento deve ter. Que monte de insensibilidade , as pessoas tem vontade de magoar umas as outras, isso explica o motivo que nem se comunicar elas conseguem nesta cidade, isso precisaria de uma imensa reforma social, onde o cidadão fosse educado para dirigir o seu automóvel com respeito e sabedoria.
- Olha ai, apareceu nosso ônibus, o senhor pode ir se preparando, nos tivemos sorte, ele chegou rapidinho.
-Tem até fila pra entrar, que absurdo.
-Agora que passamos pela porta e só cuidar da carteira e esperar a hora de decer, que vai demorar um bocado.
Bendito Henry Ford.

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15.10.07

Estação Tucuruvi.

Cheguei as 3 horas da tarde na estação Tucuruvi, fiquei surpreso com o número de pessoas andando na estação todas carregando presentes para o dia das crianças a estação, na parte da plataforma, parece muito com as outra, subterrânea e feito de concreto a mostra, subi uma escada rolante e tive acesso à saida a qual dava numa avenida, muito movimentada, cheio de pontos finais de ônibus como um terminal. Achei um lugar onde tem enormes janelas de vidro e bancos de concreto para escrever,e nesse banco várias pessoas sentam apenas para descançar alguns minutos e depois saem apressadamente, na frente do banco onde estou tem outra janela com bancos e , no meio, um corredor com acesso para deficientes, sempre as pessoas que saem estão mais apressadas e elas saem em grandes blocos humanos, daqui do banco vejo um enorme número de camelôs que estão vendendo seus produto, principalmente água e refrigerantes. Eu escrevo e só vejo o vulto e escuto os passos das pessoas passarem na minha frente. Por alguns instantes não passa ninguem somente se vê as pessoas sentadas e ao seus lados malas e pacotes. Do meu lado um velho fuma um cigarro, posso sentir o cheiro.
De repente um grande número de pessoas saindo, fazendo os camelôs gritarem para anunciarem seus produtos. Agora vejo os seguranças do Metrô carregando cacetetes, e parecem conhecer muito bem a cena, leêm juntos uma publicação impressa.
Um velho toma um sorvete de coco parado no meio de uma multidão dá, as vezês, uma discreta tossida,
Passa um senhor de um 60 anos carregando um violão na sua cara tava marcada a fisionomia do Paulinho da Viola.
Essa foi uma estação que beneficiou muita gente, pois a população é muito grande e incrementou muito o comércio.

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4.10.07

Diário de viagem

Diário de viagem
Atravesso o atlântico num vôo para a cidade do Porto. Está tudo correndo dentro do planejado, sem atrasos e a comida muito boa, mas estou louco para que chegue a hora de desembarcar, para que eu encontre o meu familiar desconhecido que deverá estar me esperando segurando uma placa com o meu nome para que eu o identifique.
Agora desembarco e sigo para o final do corredor onde eu avisto uma multidão de pessoas que esperam por seus familiares conhecidos e até como no meu caso desconhecidos, mas sei que ele estará identificado.
Agora estou no meio da multidão que faz a recepção, observo que alguns se abraçam ápos um rápido reconhecimento.
Quando avisto uma placa sendo segura por um homem com o meu nome, o que me faz chegar mas perto para observá-lo.
Quando estou próximo o homem estende a mão em minha direção e eu, desajeitadamente, retribuo aquele gesto e apertamos nossas mãos no meio daquela placa escrito gigantescamente Joaquim, não sei se foi o tamanho daquelas letras o que mais me chamou a atenção mas o nome fez me crer que esse é certamente, o meu parente distante.
Ele me perguntou a respeito da viagem, agradecia a Deus por não ter tido atraso, e pegou uma das malas que eu carregava e fomos andando pelo saguão do aeroporto, até que ele falou que sabia que eu era um dos mais importantes executivos da empresa no Brasil e que iria gostar muito de conhecer a filial brasileira.
Eu parei e coloquei minha mala no chão e olhei aquele homem que tinha se apresentado como Sr. Manuel e falei:
_Sr. Manuel, eu não vim a negócios eu vim conhecer a minha família, o Manuel falou:_ Então um outro Joaquim deve estar esperando lá no desembarque. Voltamos e fomos procurar os nossos perdidos desconhecidos anfitriões e foi através de uma minúscula plaquinha escrito Joaquim que eu encontrei o meu primo e sempre achei que aquela placona somente despertou o meu imenso orgulho